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terça-feira, 13 de outubro de 2020

Caetano Galindo: um escritor


Autor dos volumes de contos “Ensaio sobre o entendimento humano” (2013, Biblioteca Paraná) e “Sobre os canibais” (2019, Companhia das Letras), o curitibano de 46 anos perpassa por neuroses e incômodos sociais de forma marcante. 

As histórias dele, pequenos recortes que não subestimam a capacidade de interpretação do leitor, mexem com humor, medos, incertezas. Tocam na gente. 

“Embora seja reconhecido por ter traduzido livros de James Joyce e David Foster Wallace, Caetano Galindo merece ser visto como escritor. Ponto”, avalia o colunista Victor Simião. 






Ouça o programa aqui:       Por Victor Simião

Escritor distribui livros de presente no dia das crianças


O escritor Fabiano de Abreu, estudioso da mente humana com formações em neurociência, neuropsicologia, psicanálise, filosofia e especialização em psicopedagogia, utiliza de sua sensibilidade e conhecimento do comportamento humano, para relacionar o subjetivo com a ordem prática para promover a saúde mental das pessoas, dedicou parte do seu tempo num projeto que ele chama 'Conhecimento para todos' onde escreveu 5 livros para distribuir gratuitamente pensando em como aumentar os limites cognitivos dos interessados no tema.

"Quando o vírus chegou na Europa, articulei meu pensamento, no que compreendo como óbvio, leitura e conhecimento.

Alcançar o Brasil seu país de origem, é seu maior objetivo. "O país é considerado o mais ansioso do mundo segundo a OMS, logo, é um dos mais estressados, todos os reflexos de uma pandemia afetam pessoas neste quadro potencializando e tornando-se doença. Sem contar a imunidade de pessoas estressadas que é mais afetada devido ao alto nível de cortisol para combater o estresse. Por isso dediquei parte do meu tempo a escrever. Os livros são sobre comportamentos, hábitos para uma melhor saúde mental. Sem contar que a leitura aciona a plasticidade cerebral que melhora o humor."

Abreu reforça a importância do seu quarto livro, 'Filosofia da Educação Infantil' onde os adultos poderão avaliar melhores maneiras e o motivo de uma necessidade de mudança na forma com que educamos as crianças seja na escola, pais ou adultos cuidadores em geral. Depositar toda a responsabilidade sobre a educação dos pequenos nas escolas é uma temeridade. "Com o cotidiano atribulado e o excesso de metas pelo vício da dopamina (hormônio da recompensa), na busca de conquistas contínuas, as nuances desta ansiedade afetam a racionalidade e faz prevalecer a emoção, esquecendo assim a maneira correta de criar os filhos. A escola não cria, ela educa, nós criamos. As crianças precisam dos nossos limites, como aprendizagem, saber o que é certo e errado, ouvir o "não", conquistar por merecimento o "sim", precisam de atenção, serem observados, precisam ser educados."


Educação na escola encontra-se defasada.

"A escola é uma prestadora de serviço para o conhecimento e as suas estratégias estão paradas no tempo. Estamos na era do selfie, do usuário, do perfil, a educação não pode ser mais plural, tem que ser singular. Educar o aluno de acordo com a sua personalidade e saber lidar com pessoas especiais ou com transtornos que hoje são comuns em crianças."


Controle parental

"Os pais devem interferir no conteúdo das crianças. YouTubers que passam uma mensagem errada aos filhos, fácil acesso a pornografia, ao crime, a depressão, ao vício, a conteúdos que não interessam a faixa etária e só atrapalham no desenvolvimento."


Limites na internet

"A internet está deixando as crianças menos inteligentes e está causando vício e dependência prematura de dopamina, que aciona o sistema de recompensa do cérebro. Cada conquista nos jogos, likes, comentários, interação, resposta satisfatória rápida na dinâmica internet, está criando um hábito na necessidade deste hormônio da recompensa desde cedo. Isso pode influenciar em adultos depressivos. Esta dinâmica eleva a ansiedade e a criança não se aprofunda no conteúdo adaptando-se no que é superficial e isso cria uma cultura e uma fadiga de querer entender todo o conteúdo. Temos que regular o uso da internet."


Nossos filhos são dependentes, é genético.

"Nós temos um código genético, uma memória primitiva que é conduzida desde o espermatozóide até o nascimento. O ser humano é um animal frágil, dependente, as crianças dependem desta atenção e educação paterna/materna/fraterna já determinado por este código de memória primitiva."


Adaptação ao conhecimento

"Precisamos desde cedo adaptar as crianças à leitura, à necessidade de absorção de conhecimento, estimular a curiosidade e para isso, é necessário a nossa atenção. Dedicar um pouco de cada dia é muito menos tempo do que consertar depois erros relacionados a má educação. Sem contar os transtornos que poderão causar devido a esta ausência. Um tempinho nosso agora, equivale a uma melhor paz no futuro."


Autonomia demais aos jovens

"Damos voz e liberdade demais aos jovens. O cérebro só termina sua formação aos 24 anos de idade, até lá, ainda formam-se neurônios. Os jovens não têm a mesma lógica que os adultos devido a isso e pela falta de experiência e inteligência cognitiva que advém desta experiência."

No livro, são muitas idéias e estratégias baseadas em conceitos próprios e estudos científicos. A necessidade de mudarmos a maneira com que lidamos com as crianças, é urgente, diz o autor, ou o futuro será de pessoas sós e depressivas afetando o desenvolvimento e o bem estar do país. "Se queremos melhorar um país, temos que começar pela base, pelas crianças, elas serão o futuro e o melhor presente que podemos dar a elas, é esta atenção e ação de praticar o que é correto para uma melhor educação."

Ainda este mês, Fabiano de Abreu lançará o último livro da série, 'Filosofia da Resiliência Humana', para distribuição gratuita completando o seu quinto livro escrito no confinamento.

Para receber os livros, basta enviar um direct ou mensagem no Instagram ou Facebook do autor no endereço @fabianodeabreuoficial





Fonte: https://piauihoje.com       Por Fabiano de Abreu

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Jovem escritor de Itapemirim publica seu primeiro livro em aplicativo


 Apaixonado desde cedo pela leitura, o jovem Diacisio Marques, 18 anos, morador do bairro Campo Acima, em Itapemirim, descobriu sua habilidade para escrever histórias de aventura e magia. Após três meses de trabalho, ele publicou em um aplicativo gratuito seu primeiro livro digital com o nome; “Entre Reis: A Origem”, que conta a saga de cinco reinos, governado por cinco lordes que eram unificados por uma aliança divina.

Diacisio Marques estudou quando criança na Escola de Afonso, interior de Itapemirim, e em sua adolescência passou pelas escolas Anacleto Jacinto Ribeiro em Campo Acima e Narciso Araújo na Vila.

Filho de Beatriz Cabral da Silva e Juscelino Marques da Silva, hoje ele cursa o 2° ano do ensino médio e espera publicar o seu novo livro em alguns meses, pois já começou a escrever o segundo volume, após receber incentivo de amigos e de pessoas que gostaram da saga, que envolve aventura e magia.

Clique aqui para ler o livro

O jovem relata que quando começou a escrever o livro, teve apoio de várias pessoas, em especial da sua prima Kátia e de sua professora de filosofia Rosana Marquezine. Diacisio afirma que o apoio dos seus amigos foi fundamental e muito importante para que ele concluísse a sua obra.

“Eu comecei a escrever esse livro de um dia para o outro, posso dizer que foi um tanto complicado no começo, mais ao mesmo tempo uma experiência fantástica, meus amigos leram e gostaram. Hoje, alguns dos meus amigos também desejam começar a escrever os seus próprios livros e contarem suas experiências pessoais e histórias com a minha. Isso não tem preço”, disse Diacisio.

O jovem escritor disse que agradece a Deus e as pessoas que apoiaram e divulgaram o seu livro. Ele relata que houve momentos em que quis desistir, mas graças ao incentivo dos seus verdadeiros amigos, prosseguiu.

“Isso para mim é um grande passo, porque a partir do momento que comecei a escrever eu queria ter a chance de publicar ou ao menos fazer com que as pessoas vissem o meu livro, isso é uma realização de um sonho”, declarou.






Fonte: www.diaadiaes.com.br      

Conheça a trajetória do escritor Frank Herbert, autor de “Duna”



Frank Patrick Herbert Jr. é um dos autores de ficção científica mais cultuados da modernidade. Nascido no dia 8 de outubro de 1920 na cidade de Tacoma, no estado norte-americano de Washington, Herbert cresceu em uma família pobre. O que não o impediu de prosperar: ele é autor de Duna, saga de cinco livros que trata de assuntos que vão da sobrevivência humana à interação entre religião, política e poder.

Em 2021, a obra deve ganhar uma nova adaptação para o cinema, dirigida pelo franco-canadense Denis Villeneuve (Os Suspeitos, Blade Runner 2049) e estrelada por Timothée Chalamet, Rebecca Ferguson, Oscar Isaac e Zendaya. Até lá, vale a pena já conhecer mais sobre a vida e obra de Frank Herbert.


Carreira no jornalismo

Aos 18 anos, saiu da casa dos pais para morar com tios em Salem, no estado do Oregon, e ingressou no ensino médio. No ano seguinte, foi para o Arizona onde, depois de mentir sua idade na entrevista de emprego, passou a trabalhar no jornal Glendale Star, atuando principalmente como fotógrafo.

Com a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, em 1941, Herbert serviu durante seis meses como fotógrafo em um batalhão de construção naval da Marinha na campanha do Pacífico. Foi dispensado por motivos médicos e retornou ao país.


Flerte com a literatura

Mesmo como jornalista, Herbert tentava iniciar sua carreira na literatura e vendeu seu primeiro conto para a revista Esquire em 1945. No ano seguinte, ingressou como ouvinte na Universidade de Washington, na qual conheceu Beverly Ann Stuart em uma aula de escrita criativa. Acabaram se casando e, em 1949, foram morar na Califórnia, onde viraram amigos do casal de psiquiatras Ralph e Irene Slattery. Foram eles que apresentaram a Herbert a obra de pensadores que mais tarde influenciaram sua obra, como Freud, Jung e Heidegger.


Ficção científica

Ao longo da década de 1950, Herbert conciliou sua carreira de jornalista com a de escritor. Seu primeiro conto de ficção científica, Looking for Something ("Procurando por algo", em tradução livre), foi publicado em abril de 1952. Sua primeira novela, Under Pressure ("Sob pressão", em tradução livre), foi lançada em série em uma revista e depois editada em livro.

Mas foi só a partir de 1959 que ele passou a se dedicar exclusivamente à carreira de escritor, quando sua esposa começou a trabalhar como redatora publicitária em uma loja de departamentos e passou a sustentar a família sozinha. Nos seis anos seguintes, dedicou-se principalmente à escrita de Duna.


Obra-prima

Segundo Herbert disse a Willis Everett McNelly, autor de The Dune Encyclopedia, a ideia para escrever Duna surgiu durante a apuração para um artigo de revista sobre as Dunas do Oregon, uma área recreativa próxima à cidade costeira de Florence. Ele conta que ficou tão envolvido com a pesquisa que, ao final, tinha muito mais material do que o necessário para escrever o artigo – que acabou nunca sendo escrito.

Duna demorou seis anos para ser finalizado. No meio tempo, chegou a ser publicado em duas partes numa revista de ficção científica, em 1963 e 1965. O livro completo, porém, era muito longo para o padrão do gênero e foi rejeitado por 20 editoras. Até que Herbert, em 1965, conseguiu fechar um contrato com adiantamento de US$ 7,5 mil, mais royalties, para a publicação de uma edição em capa dura com a Chilton Book Company.


Capa de edição em inglês de O Messias de Duna, de Frank Herbert (Foto: Flickr/Creative Commons)


Sucesso de crítica

Por sua temática variada e complexa, abordando filosofia, religião, política e ecologia, com muitos pontos de vista, Duna recebeu as duas maiores premiações do gênero ficção científica: o Prêmio Nebula, em 1965, e o Prêmio Hugo, em 1966.

Mesmo não obtendo grande sucesso de público inicialmente, a obra abriu a Herbert caminhos para novos trabalhos: voltou ao jornalismo como escritor num jornal de Seattle em 1969, passou a dar aulas como convidado na Universidade de Washington em 1970, trabalhou como consultor ecológico no Vietnã e no Paquistão em 1972, e foi diretor de fotografia em um programa de TV em 1973.


Adaptação para o cinema

Os frutos de sua obra literária só começaram a vir na década de 1970, quando Duna se tornou um sucesso cult. A essa altura, ele já havia publicado o segundo volume, O Messias de Duna, e se dedicava aos outros quatro livros da série.

Cena de Duna (1984), adaptação de David Lynch para o cinema do livro de Frank Herbert (Foto: Reprodução)

Em 1975, houve uma primeira tentativa – fracassada – de filmar Duna, pelo chileno-francês Alejandro Jodorowsky. A façanha só foi realizada 10 anos depois, por David Lynch (Twin Peaks). A primeira adaptação foi um fracasso de bilheteria e bombardeada pela crítica, embora hoje tenha um status cult entre alguns fãs.


Fim de vida

Herbert continuou a trabalhar com literatura até sua morte. Em 1985, publicou o volume final da série, As Herdeiras de Duna. No ano seguinte, faleceu no dia 11 de fevereiro, vítima de complicações após uma cirurgia de remoção de câncer pancreático, aos 65 anos, em Madison, no estado de Wisconsin.





Fonte: https://revistagalileu.globo.com       Por MARILIA MARASCIULO

Frank Herbert, autor de Duna, considerada obra-prima da ficção científica (Foto: Uli Kaiser/Wikimedia Commons)

domingo, 4 de outubro de 2020

+ Leitura - Éramos Seis


Éramos Seis conta a história de Dona Lola e sua família, uma bondosa e batalhadora mulher que faz de tudo pela felicidade do marido, Júlio, um vendedor, e dos quatro filhos do casal: Carlos, Alfredo, Julinho e Maria Isabel.

A vida de Dona Lola é narrada desde a infância das crianças, quando Júlio trabalha para pagar as prestações da casa onde moram, na avenida Angélica, em São Paulo, nas proximidades do parque Buenos Aires, no local onde mais tarde se ergueu o Edifício São Clemente, passando pela chegada dos filhos à fase adulta e de Dona Lola à velhice.

Conforme os anos passam, vão se modificando as coisas na vida de Dona Lola, com a morte de Júlio; o sumiço de Alfredo pelo mundo; a união de Isabel com Felício, um homem desquitado; a ascensão de Julinho, que se casa com uma moça de família da nata da sociedade carioca.

O título do romance vem da situação de Dona Lola ao fim da vida, sozinha numa casa de repouso confortável, dirigida pelas "Irmãs Esperança", na rua da Consolação, em São Paulo, próxima ao Centro, o que lhe permite frequentar o Teatro Municipal e os cinemas. Eram seis, sua vida mudou e agora só resta ela. Também são expostos no livro outras personagens, como os familiares de Lola: na cidade de Itapetininga, interior paulista, moram a mãe, Dona Maria; a tia Candoca; as irmãs Clotilde, solteira, e Olga, casada com Zeca, seu cunhado; na cidade, vive a rica tia Emília, irmã de seu pai; e a filha de tia Emília, Justina.






Fonte: http://pt.wikipedia.org

'Livros são o remédio que cura ignorância', diz fenômeno nas redes

Adriel Oliveira adquiriu o gosto pela leitura aos 5 anos de idade Reprodução: Instagram 

Para Adriel Oliveira, 12 anos, de Salvador, na Bahia, "livros são o remédio que cura a ignorância". Com o objetivo de incentivar a leitura, o menino criou o projeto "Livros do Drii", um perfil no Instagram para compartilhar resenhas literárias e indicar títulos. Hoje, ele ultrapassa a marca de 700 mil seguidores.

"A ideia surgiu quando eu tinha 9 anos, por incentivo de uma prima. Ela gosta muito de ler e tem um perfil no Instagram em que compartilha resenhas de livros. Quando soube, fiquei tentado a fazer o mesmo", conta.

O gosto pela leitura, no entanto, surgiu bem antes disso. Quando Adriel tinha 5 anos, sua mãe o inscreveu em um concurso para conseguir uma bolsa em um colégio particular, onde estuda até hoje. "Na época, eu não sabia nem ler nem escrever, mas como sabia que não poderia perder essa oportunidade, me dediquei ao máximo e aprendi. Desde então, sou apaixonado por livros."

Apesar de "ler de tudo", segundo ele, seu gênero literário favorito é ficção. A clássica obra O Pequeno Príncipe, do autor francês Antoine de Saint-Exupéry, ocupa um lugar especial em seu coração.

"Gosto muito desse livro por conta do ensinamento que ele traz. Ele passa a mensagem de que as crianças não devem querer crescer tão rapidamente, porque uma vez que se torna adulto, não há como voltar atrás e recuperar o tempo perdido", afirma.

Adriel também já leu Pequeno Manual Antirracista, da escritora e filósofa brasileira Djamila Ribeiro. Para ele, conscientizar a sociedade sobre a importância do combate ao racismo é fundamental.

Adriel já leu "Pequeno Manual Antirracista", de Djamila Ribeiro
Adriel já leu "Pequeno Manual Antirracista", de Djamila RibeiroReprodução: Instagram

Em 27 junho deste ano, o garoto foi surpreendido com uma mensagem de cunho racista que recebeu pelo Instagram. O agressor, que não teve sua identidade revelada, disse, entre outras coisas, que "preto não deveria estar lendo". Adriel fez questão de expor o ocorrido e respondeu à altura.

"Aprende a escrever, cara. Isso não é um insulto, e sim um conselho. Em pleno século 21, as pessoas ainda são racistas? Atualizem-se. Esse tipo de coisa não me abala. Aliás, tenho orgulho de ser negro", escreveu. A resposta viralizou e o levou a ganhar milhares de seguidores.

Para ele, obras como Pequeno Manual Antirracista deveriam ser lidas por todas as pessoas. "Em uma linguagem simples, que todos podem entender, a autora discorre sobre como os negros não ocupam os espaços de poder, e como a sociedade deveria perceber isso para que haja uma mudança nesse sentido."

Por esses e outros tantos motivos, Adriel reforça seu lema de vida. "Livros são o remédio que cura a ignorância. A partir deles, se adquire conhecimento, cultura e tudo que há de bom. Meu conselho para as pessoas é: leiam. Apenas leiam."

"Também nunca parem de sonhar. Não deem ouvidos a pessoas que dizem que você não vai conseguir conquistar seus sonhos ou que você sonha alto demais. Me diziam isso o tempo todo e hoje estou aqui, com milhares de seguidores e mudando de vida", completa.




https://noticias.r7.com       Por Sofia Pilagallo, do R7*

*Estagiária do R7 sob supervisão de Karla Dunder

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

De Jacinta Ardern a Marielle Franco, livro conta as histórias das mulheres da política para adolescentes

A escritora e jornalista Caitlin Donohue, autora do livro 'She represents', na Cidade do México.Barbara Byrd

Pela primeira vez os Estados Unidos poderão votar em uma mulher negra para o cargo de vice-presidenta na eleição de 3 de novembro. Kamala Harris, nascida de mãe indiana e pai jamaicano, concentrou sua mensagem política na representação de gênero e origem étnica. “Te vejo. Te escuto”, é seu mantra. Quando diz isso, está olhando diretamente para as garotas dos Estados Unidos. A candidata democrata é uma das 44 mulheres citadas no livro She represents, da jornalista norte-americana Caitlin Donohue, que mora na Cidade do México.

O livro, publicado em inglês pela editora Lerner, traz ilustrações de cada uma das personagens, desde chefas de Governo como Angela Merkel, da Alemanha, e Jacinda Ardern, da Nova Zelândia, até parlamentares como Tatiana Clouthier, do México, e a chilena Camila Vallejo. Também inclui outras latino-americanas: Carmen Yulín Cruz Soto, prefeita de San Juan (Porto Rico), e Marielle Franco, que foi vereadora no Rio de Janeiro e ativista LGBTQI+ até ser assassinada em 2018.

Donohue, 35 anos, é uma autora estreante. Iniciou a carreira em San Francisco como jornalista cobrindo movimentos sindicais e a cultura hippie na Califórnia. Seu trabalho inclui uma investigação que expôs os abusos sexuais de um conhecido blogueiro daquela cidade. Natural de Austin (Texas), sempre procurou combinar as questões de gênero com a cultura. É autora do primeiro perfil em inglês do cantor de reggaeton porto-riquenho Bad Bunny.

Não se trata de um livro de entrevistas, esclarece Donohue. She represents é uma coleção de histórias dessas mulheres: de onde vêm, como passaram a representar os cidadãos e quais são seus ideais. O livro também não foi escrito para os fãs ou seguidores, mas para adolescentes curiosos por entender como essas mulheres alcançaram diferentes cargos políticos. Busca despertar o interesse pela representação democrática.

O livro 'She represents'.
O livro 'She represents'.Cortesía del autor

Donohue diz, por exemplo, que Camila Vallejo começou como presidenta da Federação de Estudantes da Universidade do Chile. Essa radical organização estudantil desencadeou com um protesto todo um movimento que acabou mudando a composição política do país. “Agora ela é deputada, então, eu queria incluí-la porque é um caso muito claro de ligação entre a política estudantil e a política das grandes coligações. Se este é um livro para adolescentes, tenho que mostrar que as coisas que você faz na adolescência podem te levar a uma posição muito importante mais tarde na vida”, afirma a autora.

O livro, que está sendo lançado em meio à campanha eleitoral nos EUA, retrata por igual democratas e republicanos. A ideia original, diz Donohue, era apenas traçar perfis de políticas e governantes dos EUA, mas o contexto polarizador em seu país natal e o trabalho de mulheres em posições de liderança em outros países influenciaram sua decisão de se abrir para o restante do mundo. “Com muita frequência somos levados a limitar nossa visão do mundo apenas aos Estados Unidos”, diz Donohue, que vive no México há seis anos. “Sinceramente, acredito que o mundo seria um lugar melhor se as pessoas nos Estados Unidos soubessem mais sobre outros países.”

Muito já se falou sobre como os países com líderes mulheres navegaram melhor na pandemia do coronavírus em comparação com líderes homens. Donohue também decidiu incluir, no último minuto, a governadora do Estado de Michigan, Gretchen Whitmer. “Michigan foi um dos lugares nos Estados Unidos que viram grupos armados de direita protestarem contra o uso de máscaras, manifestando-se contra o fechamento da economia. E Gretchen foi uma das poucas governantes que enfrentou essas pessoas para dizer ‘isso não está certo, não vamos simplesmente abrir tudo só porque você quer comer no McDonald’s ou algo assim. Nós estamos todos juntos nisso.”

Não faltam figuras que se tornaram ícones do feminismo na política, como a deputada distrital de Nova York, Alexandria Ocasio-Cortez e a senadora Elizabeth Warren, ambas pelo Partido Democrata. She represents também inclui mulheres de ultradireita, como a secretária de Educação de Donald Trump, Betsy Devos, e a chefa do Departamento de Transportes, Elaine Chao.

“Era muito importante para mim incluir as mulheres da Administração Trump, porque este não é um livro sobre modelos a seguir, é um livro sobre as mulheres que são mais influentes na política global hoje. Você pode achar que elas acreditam em coisas que você não acredita, mas, ainda assim, é importante que os adolescentes as conheçam e é importante conhecer sua história de vida e poder conectar essas coisas, para se perguntar algo como por que essa mulher tem esses valores políticos? Bem, podemos voltar no tempo e ver onde elas se criaram, quem eram seus familiares, quais foram os obstáculos que encontraram na vida”, opina a autora.




Fonte: https://brasil.elpais.com       Por Isabella Cota

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Senado pode votar na quarta pena de prisão para quem maltratar animais


Os líderes partidários no Senado decidiram realizar uma sessão deliberativa na tarde de quarta-feira (9). A pauta ainda não foi divulgada oficialmente. Mas, de acordo com líder do PSL, senador Major Olímpio (SP), os parlamentares devem votar o projeto de lei que pune autores de maus-tratos contra animais. A proposta, do deputado Fred Costa (Patriota-MG), é relatada pelo senador Fabiano Contarato (Rede-ES).

“Vamos votar amanhã [quarta-feira] o PL 1.095/2019, que estabelece pena de reclusão contra esses malditos que praticam covardias com os animais. Nos ajude nessa mobilização”, escreveu Major Olímpio em uma rede social. O relator da proposta é o senador Fabiano Contarato (Rede-ES).

De acordo com o senador Izalci Lucas (PSDB-DF), a decisão de realizar apenas uma sessão deliberativa nesta semana levou em conta o calendário das eleições municipais.

— É natural. Esta semana começam as convenções partidárias. Vários senadores e deputados estão rodando os municípios do Brasil. Entre os dias 21 a 25 de setembro, teremos votação presencial. Temos mais de 30 autoridades para serem votadas. Faremos votações nas comissões de Relações Exteriores (CRE) e de Constituição e Justiça (CCJ) e no Plenário — afirmou.





terça-feira, 25 de agosto de 2020

Roger lança projeto para publicar 50 livros de autores negros e indígenas


Uma das principais voz do movimento negro no futebol brasileiro, o técnico do Bahia, Roger Machado, quer promover a negritude e a luta antirracista para muito além do esporte. O treinador é o mecenas de um projeto que pretende lançar 50 livros de autores negros e indígenas nos próximos cinco anos e, quem sabe, se tornar uma editora no futuro. Já em 2020 serão publicados 10 livros da coleção Diálogos da Diáspora que, graças ao financiamento do Projeto Canela Preta, de Roger, chegarão ao mercado com preço acessível para a parcela mais carente da população, formada em sua maioria por negros.

“Quando minhas filhas eram pequenas, eu procurava livros para elas, de literatura infanto-juvenil, com autores e personagens negros, e tinha dificuldade e encontrar. Essa inquietação cresceu quando li o livro da Chimamanda Adichie que fala do perigo da história única, como é prejudicial o país quando a história é contata só por um lado, o lado que detém os meios da produção do conhecimento”, conta Roger.

Essa inquietação também é presente na academia. “Menos 10% dos livros publicados no Brasil são de autores não brancos e isso é um reflexo da exclusão no espaço acadêmico. Com a chegada de mais negros à universidade, fruto das cotas socioraciais, a gente está tendo maior produção sobre racismo, lutas contra desigualdade social, e a gente entendeu que era importante ter um fomento de produção editorial desse espaço”, conta Tadeu de Paula, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e um dos coordenadores do Grupo de Pesquisa Egbé.

Os dois se encontram como pais com filhos numa mesma escola gaúcha. Ele disse: ‘Que tal a gente pensar conjuntamente?’ E eu disse que era isso que eu tava procurando fazer. Eu não conseguia achar o fio por onde começar, mas é isso que eu quero. E daí surgiu a ideia de nos próximos cinco anos eu fazer o financiamento de 10 publicações por ano de autores não brancos.”

De acordo com De Paula, que é doutor em Saúde Coletiva, a iniciativa de Roger de financiar uma coleção que abre espaço no mercado editorial para autores normalmente segregados surpreendeu outros acadêmicos que atuam nesse campo. “O nosso conselho editorial tem 13 pesquisadores de diferentes áreas e de federais de todo o país. Ninguém conhecia recurso vir dessa fonte, do futebol. E é um lugar que tem muito dinheiro”, diz.

A falta de espaço para autores negros no mercado editorial é mais um exemplo do racismo estrutural tão presente na sociedade brasileira. Para ter um livro publicado, um autor iniciante normalmente precisa colocar dinheiro do bolso e, mesmo assim, quando chega às prateleiras da livrarias, o livro tem um valor expressivo. Pelo projeto do Selo Diálogos da Diáspora, os custos de produção serão cobertos pelo financiamento do treinador. Um exemplar de 200 páginas que seria vendido por R$ 40 vai custar R$ 15.

“O financiamento produz um livro final acessível. Sem o financiamento a gente nunca ia conseguir lançar 10 livros. Ia conseguir lançar dois no ano. Quando ele paga a editora, a gente cria a coleção, ela acelera e sai esse ano”, explica De Paula, que, pelo lado acadêmico, coordena o projeto com professor José Damico, também da Federal do Rio Grande do Sul.

Os livros serão lançados pela Hucitec Editora, especializada em humanismo, ciência e tecnologia. O conselho editorial fará a curadoria para escolher, todo ano, ao longo de cinco anos, 10 obras preferencialmente de escritores negros e indígenas, nas mais diversas áreas acadêmicas: Antropologia, Sociologia, Psicologia, Urbanismo, Direito, Filosofia, Letras, Pedagogia, Comunicação, Arte, etc. A coleção também vai incluir literatura de ficção, poesia e saberes tradicionais, que são os conhecimentos que são produzidos fora da academia. Aí se encaixam mestres griôs, religiosos e das artes.

Os trabalhos pré-selecionados serão avaliados por um ou mais componentes do Conselho Editorial. A partir do banco de obras pré-selecionadas, os coordenadores (um tripé formado pelo Canela Preta, a editora e o Grupo de Pesquisa Egbé) selecionarão os 10 livros de cada coleção, com base em quatro critérios: diversidade de temas, de áreas de conhecimento, de gênero de autores/autoras e de regiões do Brasil.

O plano é que, a partir do ano que vem, seja aberto um edital para o recebimento de originais, que, por enquanto, devem ser enviados diretamente à Hucitec Editora. Roger, que já tem desenhado o projeto de um instituto, o Tiaduca (homenagem à sua mãe de criação, que era conhecia assim, e referência à educação), tem planos para que a coleção se transforme, no futuro, em uma editora voltada à publicação de autores negros





Foto: Darío Guimarães Neto/UOL

Catadora vai à formatura carregando as latinhas que pagaram sua faculdade na Paraíba


A paraibana Luciene Gonçalves, 35 anos, conseguiu pagar os quatro anos do curso de serviço social em uma faculdade particular de Souza, no sertão da Paraíba, com o dinheiro arrecadado da venda de latinhas de alumínio.

A conquista serve de inspiração para as filhas que estão concluindo o ensino médio. O segredo para a vitória foi não perder tempo reclamando dos problemas da vida. “E eu sempre digo ao meu marido que não reclame, pois quem reclama não sai da lama”, disse a sucateira ao G1.


Ela entrou na faculdade junto com o marido, Pedro Filemon, 35 anos, também sucateiro e que escolheu estudar administração, após Luciene insistir para que ele participasse da seleção.

“Eu tinha que ser alguém na vida, não ser só sucateira, mas ter um curso superior pra dar exemplo para as minhas filhas. Tem gente que trabalha em escritório e diz que não tem tempo para estudar. Eu trabalho dentro da sujeira e pra mim não faltou garra para terminar meus estudos. Tem gente que reclama de barriga cheia”, afirma Luciene.

Luciene largou os estudos para trabalhar e ajudar a família. Dez anos depois de concluir o ensino médio, ela voltou para a sala de aula. “Serviço Social foi feito pra mim. Eu gosto muito de ajudar as pessoas. E depois que entrei no curso e fiz estágios, tive a certeza de que aquilo foi feito para mim”, diz.

Quando estava prestes a terminar o curso, o pai de Luciene ficou doente e ela era única pessoa que poderia acompanhá-lo na hemodiálise 3 vezes por semana.

“Às vezes chegava na sala de aula chorando, mas também amigas que foram como irmãs, que me apoiaram. Essa foi a época mais difícil, pois ocorreu quando eu já estava fazendo meu trabalho de conclusão de curso”, lembra Luciene.

No baile de formatura, ela decidiu homenagear o marido, que abriu mão de participar da comemoração. Luciene entrou no baile carregando latinhas e as imagens da festa emocionaram os internautas. “Eu quis homenagear e confesso que estou um pouco surpresa com a repercussão que está tendo”, conta.

Foto: David Silva/Alian Eventos





terça-feira, 4 de agosto de 2020

"Sol da meia-noite", novo livro da saga "Crepúsculo", lidera vendas no Brasil no dia de lançamento

O casal Bella e Edward Cullen em filme da saga "Crepúsculo", interpretados por Kristen Stewart e Robert Pattinson

"Sol da meia-noite", novo livro da saga "Crepúsculo", de Stephenie Meyer, foi lançado mundialmente nesta terça-feira (4). A obra era aguardada há 12 anos pelos fãs do universo de vampiros criado pela autora americana. O título, que sai no Brasil pela editora Intrínseca, aparece como o mais vendido na Amazon no Brasil no começo desta tarde. Já na pré-venda, em maio, os brasileiros haviam colocado o volume na primeira posição.

Nos EUA, por sua vez, "Sol da meia-noite" estava na segunda posição no site de vendas nesta terça. Ao todo, os livros da saga, "Crepúsculo", "Lua nova", "Eclipse" e "Amanhecer", já venderam mais de 160 milhões de exemplares, com tradução para quase 40 idiomas. As histórias também renderam cinco filmes em Hollywood e alçaram as carreiras de Kristen Stewart e Robert Pattinson, que vivem o casal de apaixonados Bella Swan e Edward Cullen. A bilheteria está estimada em mais de US$ 3,3 bilhões.

Até agora as tramas eram narradas do ponto de vista da jovem Bella. Em "Sol da meia-noite", porém, os fatos ganham a versão do vampiro Edward, o que promete entregar detalhes ainda não conhecidos dessa paixão ao longo das 736 páginas do volume.





Fonte: https://br.noticias.yahoo.com

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Booktokers: Saiba quem são os jovens que falam de literatura na rede social da moda

Tiago Valente leva quatro horas entre roteiro, locução e edição para criar vídeos de 30 segundos falando sobre livros no TikTok

Quando o paulistano Tiago Valente baixou o TikTok, em 2018, a rede social chinesa ainda era o “matagal” onde os adolescentes se escondiam se quando seus pais descobriam o Facebook. Valente é um booktoker. Ele compartilha vídeos de 30 segundos nos quais resume um livro e ainda interpretar os diferentes personagens que aparecem na história. Para resumir “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, escalou até um Mickey de pelúcia como Ezequiel, o filho de Capitu e Bentinho (ou será de Capitu e Escobar?).

– Percebi que o que funcionava era usar aqueles poucos segundos para criar uma narrativa, uma historinha cômica com começo, meio e fim – diz Valente, que tem 22 anos, gosta de romances policiais e literatura juvenil (hoje chamada de Young Adult ou YA) e tem quase 140 mil seguidores no TikTok. – Me organizo para fazer os vídeos. Escrevo o roteiro, gravo a locução, as participações dos personagens, edito e posto. Dá umas quatro horas.

Estima-se que o TikTok já tenha sido baixado mais de 2 bilhões de vezes – 315 milhões entre janeiro e março – e some 800 milhões de usuários ativos pelo mundo, mas a empresa não confirma. A rede social chinesa já incomoda Mark Zuckerberg e acirrou os atritos entre China e Estados Unidos.

Depois que fãs de k-pop se mobilizaram via TikTok para esvaziar um comício do presidente americano Donald Trump, ele ameaçou proibir a rede social no país em nome da privacidade e da segurança nacional. O Departamento de Justiça dos EUA também investiga se TikTok violou leis de privacidade ao coletar dados de menores de 13 anos sem o consentimento dos pais.

A tensão cresceu na última semana, quando Trump renovou ameaças e o “New York Times” anunciou que a ByteDance, empresa chinesa dona do app, chegou a cogitar vender a operação americana para a Microsoft. “Estamos aqui para ficar”, foi a resposta de Vanessa Pappas, encarregada do aplicativo nos Estados Unidos.

Atentos ao noticiário, os booktokers seguem publicando seus vídeos — e o mercado editorial acompanha de perto o fenômeno nascente. Segundo o TikTok, a hashtag #booktoker já foi visualizada mais de 14,5 milhões de vezes em todo o mundo. Diferentemente do YouTube, a rede social chinesa não remunera criadores de conteúdo de acordo com o número de visualizações, mas, como o Instagram, permite posts patrocinados.

As editoras já estão de olho nos booktokers. Se há alguns anos livros de youtubers inundaram as livrarias e ajudaram o mercado editorial a fechar as contas, não estranhe se, daqui a pouco, você começar a tropeçar em livros de tiktokers por aí.

– Os novos influenciadores digitais formados pelo TikTok são também potenciais autores – afirma Nathalia Dimambro, editora da Seguinte, selo YA da Companhia das Letras.

Valente assinou contrato com a editora Burn Books para publicar um romance que ele ainda está escrevendo. “O conselheiro” é a história de um rapazinho que dá conselhos amorosos num podcast, mas não tem sorte do amor.

– Quero que seja um projeto multimídia, que o livro se desdobre numa série de podcasts e de vídeos no TikTok – diz.


Aceite os desafios
O baiano Nadson Oliveira, de 22 anos, está na rede social desde 2017, quando ela ainda se chamava Musical.ly. Ele sempre gostou de ler e, depois de assistir aos resumos de Valente, passou a postar vídeos literários – antes, ele compartilhava apenas coreografias e alongamentos. O forte de Oliveira são os vídeos nos quais ele aborda dilemas de leitores – como frete caro e livro longo – ao som de hits do TikTok.

– Esses dias, usei o remix da música “Na conta da loucura”, de Bruno e Marrone, num vídeo em que brinco que quando o livro custa R$ 30 e o frete está R$ 10, é caro, mas se o livro custa R$ 40 e o frete é grátis, é barato. Muita gente se identificou – explica Oliveira, que acumula mais de 12 mil seguidores.

Um booktoker de respeito precisa embarcar nos famosos “desafios” da rede social, ou seja, fazer mais ou menos o mesmo vídeo que todo mundo está fazendo, mas falando de livros. São muitos comuns os vídeos em que booktokers brincam de “eu já / eu nunca” listando os livros que lleram e os que ainda não, e também as “check lists”, nas quais são desafiados a mostrar um livro de capa vermelha, um livro que faz chorar ou m livro que todo mundo gostou e eles não.

– Temos que estar atentos às possibilidades criativas dos desafios. Se percebo uma música que todo mundo no TikTok está usando, penso: como posso embarcar nessa onda sem copiar ninguém? – diz a curitibana Ivana Amaral, de 28 anos, seguida por mais de 21 mil tiktokers. – A comunidade booktoker é muito do bem. Muitos mandam mensagem agradecendo. Teve pai que disse que não pegava um livro desde a escola e agora voltou a ler.

Jéssica Martins, de Novo Gama (DF) resolveu falar sobre livros no TikTok e também no Instagram para “desmistificar” a leitura. Ela faz sucesso com vídeos em que encena os hábitos estranhos de leitores, recomenda romances eróticos e dá dicas como higienizar os livros (com um pano seco).

Segundo Ronaldo Lemos, pesquisador da cultura digital, os booktokers se beneficiam do sofisticadíssimo algoritmo da rede social chinesa, que entrega ao usuário exatamente o que ele quer, ainda que seja um conteúdo de nicho, como literatura. Não é preciso sequer criar uma conta para acessar o conteúdo do TikTok. Lemos alerta: o TikTok não é só uma modinha adolescente.

– O TikTok vem crescendo desde 2019 e, no primeiro semestre de 2020, se tornou o aplicativo mais baixado da história. Ele criou uma nova linguagem e agora está atraindo também o público adulto. Não é uma onda passageira – afirma.

Veronica Gonzalez, editora da Alt, selo YA da Globo Livros, deseja vida longa ao TikTok. Para ela, os booktokers podem ajudar a “Geração Z” (os nascidos pós-2000) a tomar gosto pela leitura.

– Não devemos subestimar o poder dessa nova plataforma. Jovens que não se interessam por literatura estão descobrindo que ler é legal e talvez comecem a fazer seus próprios vídeos para compartilhar suas experiências de leitura – diz Veronica, que tem um conselho às editoras e aos autores: corram para o TikTok.





Fonte: https://br.noticias.yahoo.com

domingo, 2 de agosto de 2020

Criamos um projeto chamado “marmitrans”, para doar marmitas, garrafas d’água e barracas para pessoas lgbts em situação de vulnerabilidade


O foco do projeto são pessoas lgbts, e principalmente pessoas trans e travestis em situação de rua, porém nosso projeto irá contemplar pessoas que fogem desse público. sabemos que muitas pessoas em situação de rua não tem o que comer, e nem onde beber água 



Dia 26 fizemos a primeira ação, e levamos diversas marmitas e garrafas d’água, e também ração para os animaizinhos dessas pessoas que estão em situação de rua.

As doações serão para custear os produtos para os preparos das marmitas(que são muitas), já que iremos levar cerca de 200 marmitas por semana, para custear as águas e as barracas. qualquer valor já ajuda muito nosso projeto


Vocês podem nos ajudar através do picpay picpay.me/marmitrans 



E quem não tiver picpay, pode entrar em contato comigo que passo as informações para doarem por conta bancária/nubank qualquer ajuda é mega bem vinda, sério!!





terça-feira, 30 de junho de 2020

Escritora, portadora de Hidrocefalia, faz 'Vakinha' para lançar segundo livro

 Qualquer quantia é válida para as doações.
Foto: Divulgação 

Autora do livro 'Viver, o direito de todos', a escritora de 25 anos, Stephanne Santos Diniz, ou como gosta de ser chamada 'Tete Guerreira', moradora de Higienópolis, Zona Norte do Rio, torna a lutar por um novo sonho a ser publicado. A jovem, portadora de Hidrocefalia, vindo a desenvolver diversas outras patologias, conta através de seus livros alguns dos milagres e histórias de superação que viveu. Após entrar em um quadro de saúde delicado no início desse ano e conseguir se recuperar, Tete está prestes a lançar seu segundo livro, 'Vencendo os Obstáculos pela Fé", onde conta sobre seu último desafio.

No entanto, devido a alta despesa que tem com sua saúde, gastando aproximadamente R$ 2.000 reais por mês com remédio, fraudas geriátricas e sondas uretrais, que a Prefeitura afirma não ter verbas para cobrir os gastos, a jovem não tem recursos para consumar o lançamento do novo livro, que terá o selo da Editora Proverbo, de Maricá.

Sendo o primeiro fruto de uma campanha de financiamento coletivo, sm inglês chamada de 'Crowdfunding', dessa vez Tete recorre a uma Vakinha, para receber doações necessárias para a produção da nova obra. O prazo de arrecadação é de 45 dias, para atingir a meta estabelecida de 7 mil reais. Assim que os livros forem produzidos, a autoria irá vender por conta própria, como forma de custear suas necessidades de saúde e higiene.

"Há 3 anos e 7 meses passei por uma experiência parecida com essa que estou vivendo atualmente, quem me conhece sabe que sou uma pessoa que supera os obstáculos que se levantam dia após dia, não desisto de lutar pelos meus sonhos e creio que mais uma vez irei conseguir atingir a meta", contou a jovem escritora.


Aqueles que estiverem interessados em ajudar Stephanee com doações para a produção de seu novo livro, o seguinte link foi disponibilizado: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/vencendo-os-obstaculos-pela-fe.

Já os que preferirem realizar depósito, devem doar para a conta de Stephanee Santos Diniz, banco Santander, agência 1532, n° da conta 60008956-9. Qualquer quantia é válida para as doações.





Fonte: www.osaogoncalo.com.br      Por Tatiane Gomes*
* Estagiária sob supervisão de Sérgio Soares 

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Após livro na lista dos mais vendidos, escritora que ‘previu’ pandemia em 2020 faz continuação: ‘Mais um chacoalhão em 2057’

Melissa Tobias finaliza continuação de livro que “previu” pandemia em 2020


No início da pandemia do coronavírus no Brasil, um trecho do livro “0A realidade de Madhu”, de 2014, deixou muita gente curiosa e até perplexa. Afinal, num dos capítulos a autora Melissa Tobias “previu” uma imensa quantidade de mortes após um vírus assolar todo o planeta Terra. O livro foi republicado e entrou para a lista dos mais vendidos no Brasil nos últimos dois meses. Agora, ela já terminou uma nova saga.

Madhu voltará a ser a protagonista da próxima história de Melissa. “Sim, a continuação já está nas mãos da editora. Se chama ‘A realidade dos sete’”, adianta a escritora.

No próximo livro, Madhu continua a explorar e narrar a vida pós-pandemia viral em que 3 bilhões de vidas foram perdidas em 2020 para uma doença bem parecida com a causada pelo Covid-19.

“Depois da pandemia acontece outro ‘chacoalhão’ e grandes mudanças no mundo. A história se passa depois que a sociedade se reestrutura após o caos. A trama começa em 2057 e vai até 2066”, conta.

Assim como no livro que a tornou famosa nas redes sociais, a ideia surgiu enquanto dormia. “Escrevi recentemente. Já havia um esboço depois de um sonho que eu tive. Mas como estava desmotivada, deixei de lado. Só agora me senti motivada novamente”, explica Melissa: “Sou sonhadora”.





Fonte: https://br.noticias.yahoo.com       Por Carol Marques

terça-feira, 23 de junho de 2020

FAC patrocina livro com textos de escritores cegos


Antônio Leitão: “O preconceito contra o artista cego é grande, daí a importância de uma oportunidade como essa no apoio a escritores ainda marginalizados” | Foto: Acervo pessoal

Uma ação inclusiva, financiada com recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) do Governo do Distrito Federal (GDF), vai dar a escritores cegos ou com baixa visão a oportunidade de transformarem parte de suas obras em livro. Uma coletânea de poesias, crônicas e contos curtos está sendo preparada, levando a quem enxerga a arte de quem escreve, mas não vê.

Coordenado pelo agente literário Andrey do Amaral, o projeto Mostra de Literatura está em fase de chamamento dos escritores e acolhimento dos textos. Os interessados têm até 20 de julho para enviar seus trabalhos, no limite de cinco laudas, para o endereço de e-mail mostradeliteratura@gmail.com ou para a Caixa Postal 2188, CEP 70343-970, Brasília, DF.

Pelo menos dez artistas farão parte da curadoria e análise dos trabalhos recebidos. Ao ser selecionado, o escritor não pagará nada pela publicação e poderá receber o suporte de alguns autores renomados que compõem o conselho editorial de arte do projeto.


Oportunidade
O professor e jornalista cearense Antônio Leitão, 61 anos, é cego de nascença. Começou a estudar aos 12 anos e, ainda adolescente, mudou-se para Brasília. Autor de Pérolas do Leitão, que apresenta reflexões sobre o cotidiano, ele atualmente prepara seu segundo livro.

Ele escreve os textos no celular – com suporte de um programa de voz – e os envia por SMS. Experiente, elogia a proposta do projeto financiado pelo FAC que abrirá espaço no mercado editorial. “O preconceito contra o artista cego é grande, daí a importância de uma oportunidade como essa no apoio a escritores ainda marginalizados”, comemora.

“É muito legal e importante que o FAC apoie projetos como esse, porque é o fundo voltado a propostas de diversas áreas da cultura”, pontua o subsecretário de Fomento e Incentivo Cultural da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), João Moro. Ele lembra que o edital do FAC recomenda a inscrição de projetos inclusivos e de acessibilidade.


Impressos e e-books
O compilado de textos estará publicado em um livro nos formatos impresso e digital. No primeiro caso, será distribuído às bibliotecas públicas e comunitárias do DF e a espaços da Secec. No segundo, em formato e-book, ficará disponível em grandes livrarias eletrônicas do país, com download gratuito. Nesse formato, contará também com a versão em áudio, para deficientes visuais. Não está prevista a produção em braile.

A Mostra de Literatura é um projeto que está na oitava edição. Neste ano, entrou no edital Ocupação, da Secec, que tem o propósito de dar a artistas e curadores a oportunidade de ocupar espaços públicos da cidade subutilizados – como a Biblioteca Braile Dorina Nowill, de Taguatinga.

Os cursos do projeto, orçado em R$ 50 mil, preveem o pagamento de diversos profissionais, de contador a revisor, fomentando o mercado cultural e gerando empregos, principalmente nesse momento de crise. “É uma pauta do Governo do Distrito Federal na geração de renda e enfrentamento ao desemprego”, destaca Andrey do Amaral.





Fonte: www.agenciabrasilia.df.gov.br      Por Hédio Ferreira Júnior, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto 

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Adolescente instala estante com 200 livros didáticos de preparação para o Enem no Terminal Alvorada

Maria Luiza instalou a estante no Terminal Alvorada

A ideia partiu de uma adolescente de apenas 16 anos. Maria Luiza Campos, aluna do 2º Ano do Ensino Médio, estava preocupada com os desdobramentos da pandemia de coronavírus, que fechou escolas e prejudicou os estudos de milhares de jovens do Rio. Para tentar ajudar estes estudantes, em especial na preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), nasceu o projeto Livro a Livro. Nesta quarta-feira, foi instalada no Terminal Alvorada, com aval do BRT, uma estante com cerca de 200 livros didáticos disponíveis para uso compartilhado.

— O objetivo é a distribuição de livros didáticos, apostilas e cadernos de questões do Ensino Médio a todas as pessoas que não estão tendo educação formal no momento por causa da pandemia, para que todos possam continuar estudando e se preparando para entrar na faculdade — explica Maria Luiza, que participa do grupo Garotas pelo Mundo, que, entre outras atividades, realiza ações voltadas à educação.

A própria estudante levou a estante com cerca de 200 livros e apostilas para o Alvorada. Ela calcula fazer a reposição do material uma vez por semana, mas contribuições são sempre bem-vindas. A previsão é que a estante fique no Terminal Alvorada até fim das provas do Enem 2020, que até o momento não tem data para ser realizado.

— Acreditamos no poder da educação como ferramenta de transformação da realidade dos cidadãos. Por isso, apoiamos iniciativas que estimulem o hábito da leitura — frisa Luiz Martins, presidente-executivo do BRT: — Hoje, em meio à pandemia da Covid-19, projetos como Livro a Livro se tornaram ainda mais urgentes e necessários para amenizar os impactos das medidas de isolamento social na vida acadêmica dos jovens. Ficamos felizes em poder contribuir.





Fonte: https://br.noticias.yahoo.com

domingo, 14 de junho de 2020

Os Hospedeiros da Morte – Contaminação: Livro marca estreia de autora paranaense



Durante a pandemia do Novo Coronavírus, o Covid-19, obras que abordam o tema têm ficado em evidência. A autora brasileira F. C. Edwin lançou neste mês seu primeiro livro, Os Hospedeiros da Morte – Contaminação, que traz uma série de conflitos envolvendo contaminação de hemorragia durante uma quarentena em um shopping center.

Formada em Letras, a autora que já foi professora de Português, atualmente trabalha em uma cafeteria, é fã do gênero desde os sete anos de idade. Mas é ironicamente em meio ao atual cenário mundial, também tomado por uma contaminação em massa, que Os Hospedeiros da Morte – Contaminação surge pronto para agradar os fãs das histórias mais gráficas e viscerais.


“Assinei contrato com a editora em Setembro, e, infelizmente, por coincidência, estamos vivenciando essa terrível doença de fácil contágio que surgiu em escala global.”

E ainda bem que a coincidência para por aí.

Concebido como o primeiro de uma possível trilogia, já nas primeiras páginas o livro mostra pessoas, entre clientes e funcionários do Imperial Shopping Center, que são misteriosamente trancadas pela polícia e pelo exército nesse local blindado e sem chance alguma de fuga.

Fã saudosa de livros e filmes do gênero, Edwin buscou referências entre seus autores e cineastas que formaram sua habilidade criativa, entre eles, Stephen King, George Romero e Chris Carter, o que fez com que Os Hospedeiros da Morte – Contaminação se tornasse um curioso resultado “repaginado” de muitas fontes do terror e seus subgêneros.

A autora esclarece que os vilões de Os Hospedeiros da Morte – Contaminação, que ela nomeou como “os hemorrágicos” não são exatamente “zumbis”, no sentido literal da palavra, pois se tratam de pessoas vivas, mas que foram contaminadas com a doença
enigmática mantida a sete chaves pelo alto escalão no interior do shopping.

Eles não estão mortos. Estão infectados. “Perigosamente infectados”. Com o caos instaurado dentro do estabelecimento, o local é colocado em quarentena. Lá fora, uma multidão se aglomera para ver o que está acontecendo do outro lado das paredes blindadas. A imprensa logicamente chega ao local. E muito longe dali um número seleto de homens engravatados também acompanha o fatídico evento do Imperial Shopping Center.

Apesar de muitas cenas violentas, Os Hospedeiros da Morte – Contaminação, recém-lançado pelo Grupo Editorial Coerência, não se faz apenas com o objetivo de chocar. A obra também traz nas entrelinhas suas boas doses de críticas, e, conforme sugere a
autora:


“Você pode ler Os Hospedeiros da Morte – Contaminação de duas formas: a primeira, como uma tensa, gráfica e eletrizante história de terror; e a segunda, como uma metáfora do nosso falho sistema social, político e moral.”


SINOPSE

O Imperial Shopping Center é um dos maiores e mais modernos shoppings de Curitiba. Em uma fatídica noite de sábado, dezenas de consumidores dão voltas por seus corredores. O que eles não sabem é que escolheram a hora e o lugar errados para o passeio do fim de semana.

Durante o encerramento do expediente, as portas do shopping são seladas, impedindo que clientes e funcionários saiam. Policiais militares, junto com o exército nacional, dão ordens para que as portas sejam lacradas e todos permaneçam no hall de entrada.

Sem dar ouvidos às ordens superiores, um dos enclausurados se vê numa necessidade furtiva de subir para o segundo andar. Quando retorna, começa a sangrar inexplicavelmente pelos olhos, ouvidos, nariz e boca.

Esses são os acontecimentos que marcam o início da misteriosa quarentena do Imperial Shopping Center.


SOBRE A AUTORA

F. C. Edwin é paranaense, formada em Letras e apaixonada por literatura e cinema, sobretudo do gênero terror. Ao começar a ler Stephen King, sua referência de genialidade e mente afortunadamente obscura, decidiu que queria escrever seus próprios livros e ter seus próprios leitores, a quem pretende causar os mais absolutos pesadelos.





Fonte: https://feededigno.com.br       Por Guto Souza

sábado, 13 de junho de 2020

Em novo livro, Laura Carvalho fala sobre curto-circuito na política econômica e discute volta do Estado



Dois anos após o lançamento de "Valsa Brasileira: do boom ao caos econômico", a economista Laura Carvalho (FEA-USP) lança o livro "Curto-circuito: o vírus e a volta do Estado", no qual defende a necessidade de se repensar as funções do Estado diante de uma crise que tem exigido gastos públicos em níveis sem precedentes em todo o mundo.

Para a economista, a volta do Estado como indutor do crescimento e garantidor de um ambiente de bem-estar social não é um fato consumado. Ela diz também que o elevado nível de endividamento global, inclusive do Brasil, pode gerar uma reação semelhante àquela vista após a crise de 2008-2009, que foi seguida por uma onda de austeridade fiscal e desmonte de políticas públicas em outros países.

Sobre o título do livro, Laura diz que o curto-circuito se refere também à forma como a crise atual obrigou uma equipe econômica alinhada com esse pensamento a agir em sentido contrário e à dúvida sobre como o bolsonarismo irá se colocar diante da possibilidade de que uma política de austeridade atrase a recuperação econômica do Brasil e abale ainda mais a popularidade do presidente da República.


PERGUNTA - A senhora estruturou o livro em cima de cinco funções do Estado. A pandemia e a recuperação posterior tendem a fortalecer essas funções e a presença estatal?

LAURA CARVALHO -
São cinco funções que a pandemia contribuiu para revelar e para fazer a gente repensar. De forma alguma eu quero dizer que a volta do Estado seja um fato consumado. Não estou anunciando que o Estado voltou. O que eu tento fazer é repensar os papéis do Estado a partir dessa pandemia, muito mais no sentido de propostas do que de uma previsão ou futurologia.

P - Dessas cinco funções do Estado, quais a sra. considera mais fundamentais hoje e quais serão mais importantes no período de recuperação pós-pandemia?

LC -
As duas igualmente importantes hoje são as funções de Estado protetor e prestador de serviços. Eu trato no livro da questão da proteção, da renda básica universal, que é fundamental diante dessa massa de trabalhadores informais e que vêm perdendo sua renda nesse momento e precisam de alguma renda até para conseguir evitar o contágio. Na função de prestador de serviço, principalmente considerando a necessidade de recursos para a área de saúde e de uma gestão mais eficiente. Essas duas são as urgentes. Para o pós-pandemia, para uma recuperação mais rápida da economia, eu colocaria a função de investidor em infraestrutura como aquilo que pode contribuir dinamizar a economia e, ao mesmo tempo, para superar algumas lacunas históricas que ficaram mais aparentes.

P - Quando se fala em ação do Estado como investidor e empreendedor, vêm à mente os problemas que ocorreram no governo Dilma Rousseff, o que é usado como argumento por muitos economistas para defender que a recuperação precisa ser puxada pelo setor privado.

LC -
A função do Estado como empreendedor tem a ver com uma crítica da política industrial que foi implementada no passado, no governo Dilma, e eu busco refletir sobre um novo modelo de política de desenvolvimento que estivesse ligada às demandas da sociedade e não à ideia de proteger algum setor.

O livro tenta partir de questões da história contemporânea para introduzir conceitos da economia, mas também tentar fazer uma análise crítica do passado mirando uma agenda futura. Em todas essas funções aparece um pouco uma crítica à trajetória e papéis que o Estado veio tendo no Brasil nas últimas décadas, ao mesmo tempo mostrando que alguns dos instrumentos foram importantes para que a gente conseguisse reagir agora, mesmo que de forma insuficiente, como o Cadastro Único, a existência do BNDES, mesmo que não tenha sido aproveitado nessa crise, o SUS. Alguns desses instrumentos vinham sendo desmontados.

P - A senhora faz um diagnóstico de que a economia brasileira vem, desde a saída de recessão em 2016, em um cenário de estagnação porque se tirou do Estado o papel de indutor do crescimento.

LC -
Na situação atual, ou a gente dá sorte de ter o resto do mundo puxando nosso crescimento via exportações ou precisa do Estado. Só tem essas duas maneiras de injetar ânimo em uma situação como essa. Essa pandemia criou uma situação ainda mais dramática por ter vindo sobre uma economia que, ao contrário dos países ricos, não vinha em uma trajetória de expansão, não estava com taxa de desemprego baixa, tinha informalidade recorde. Isso fará com essa crise seja ainda mais grave por aqui e o volume de recursos para responder a isso seja muito maior.


P - A equipe econômica do governo federal defende uma ideologia econômica que você chama no livro de anacrônica e está tendo de lidar com uma demanda por mais Estado neste momento. A pandemia pode trazer mudanças nessa política econômica?

LC -
O título do livro, curto circuito, tem dois sentidos. Um sentido é o curto circuito macroeconômico que a pandemia gerou, o diagnóstico de que as características dessa crise são bem diferentes das crises originadas no setor financeiro, de 1929, de 2008.

Mas o título também vale para a ideia, para a maneira como essas demandas de um Estado maior, muito urgentes, se dão em um ambiente de um governo que não tem essas características e não se preparou para isso. As demandas e as necessidades do momento bateram de frente com essa ideologia da equipe econômica.

O bolsonarismo entrou um pouco em curto circuito na medida em que houve uma ruptura drástica, tanto na política fiscal como na política monetária em relação ao que vinha ocorrendo nos últimos anos. A atuação do Banco Central e da política fiscal é anticíclica, ao contrário do que foi nos últimos anos. Isso em um governo que se propunha a fazer o contrário.

P - A política econômica continuará nesse caminho nos próximos anos?

LC -
Neste ano, a gente teve uma ruptura muito clara. O déficit vai a 7% do PIB, a dívida pública tende a subir para mais de 100% do PIB em alguns anos. Há também uma valorização do papel do Estado pela sociedade.

Agora, dizer que está claro que daqui pra frente haverá uma mudança na postura que incorpore a valorização dessas funções, criando uma agenda econômica nova, que reduza desigualdades, isso a gente não tem como afirmar. Pelo contrário, o Ministério da Economia aponta para uma tentativa de utilizar essa dívida maior para acelerar reformas que reduzam o tamanho do Estado, até de forma mais agressiva do que vinha ocorrendo.

Essa é uma das perguntas do livro. Será que o bolsonarismo abrirá mão daquele fundamentalismo de mercado que ajudou a elegê-lo e a conquistar a maior de parte das elites econômicas desde 2018 ou o manterá, com o risco de perder ainda mais apoio, dado que a gente vai ter um quadro econômico mais difícil daqui pra frente?


P - A senhora defende no seu livro um sistema de renda básica universal. Qual a sua proposta?
LC - Há duas visões de renda básica. A ideia do [ganhador do Prêmio Nobel Milton] Friedman de um Imposto de Renda negativo. Abaixo de um certo patamar de renda, as pessoas recebem o benefício e acima pagam imposto. E a renda básica universal, a ideia de que todos têm direito a uma renda mínima.

Isso cria a ideia de que vai transferir para pessoas ricas, porque está dando renda para todos, sem exigir que se comprove nada, assim como no SUS, mas você corrige isso na tributação. A Justiça não vem por tornar os serviços ou direitos mais focalizados, vem ao dar a todos esses direitos de forma universal, mas tributar mais os que ganham mais. É isso o que eu defendo como sistema.

O caminho pode ser gradual, mas é possível financiar um sistema de renda básica para todos, o que substitui os programas existentes, que exigem que se comprove renda. Uma parte do custo sai daí, mas outra parte precisa tirar da tributação progressiva, com a redução de deduções do IR para saúde e educação privadas, isenção para lucros e dividendos e até criando alíquotas mais altas para o topo da pirâmide.

Curto-Circuito: O Vírus e a Volta do Estado Laura Carvalho. 

Editora Todavia. 

R$ 14,90 na versão e-book. 

R$ 34,90 impressão sob demanda (144 págs.)


RAIO-X

Laura Carvalho, 36, é professora livre-docente do Departamento de Economia da FEA (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP) e autora de "Valsa Brasileira: do Boom ao Caos Econômico" (Todavia, 2018). Foi colunista da Folha de 2015 a 2019.





Fonte: https://br.financas.yahoo.com      Por EDUARDO CUCOLO