1)
“Sempre quis saber por que Tarzan era o rei da selva na África e era
branco. Um homem branco com uma tanga na África gritando: ‘Oh, oh, oh,
oh!’ Ele briga com os africanos e quebra as mandíbulas dos leões. Além
disso, Tarzan fala com os animais, e os africanos que estão lá durante
séculos não podem falar com os animais. Só o Tarzan pode”, disse Muhammad Ali,
o pugilista mais importante da história e ativista fundamental da luta
pelos direitos dos negros. Uma entrevista na BBC em 1971 que viralizou
após os protestos dos últimos dias.

2) “Não tinha nem ideia de que estava fazendo história. Só estava cansada de me render”, afirmou Rosa Parks
quando lhe perguntaram por que não cedeu seu assento a um branco num
ônibus em 1.o de dezembro de 1955, acendendo assim a chama de um
movimento que ainda continua vigente.

3)
“Em nós, até a cor é um defeito. Um imperdoável mal de nascença, o
estigma de um crime. Mas nossos críticos se esquecem que essa cor, é a
origem da riqueza de milhares de ladrões que nos insultam; que essa cor
convencional da escravidão tão semelhante à da terra, abriga sob sua
superfície escura, vulcões, onde arde o fogo sagrado da liberdade.” O
poema em forma de manifesto revela a inquietude e a postura combativa
contra o racismo de Luiz Gama, um dos maiores abolicionistas da história brasileira.

4) As frases de Nelson Mandela,
ícone ativista por antonomásia ao acabar com o apartheid na África do
Sul, ecoam com mais força desde sua morte em 2013. “Ninguém nasce
odiando outra pessoa por sua cor da pele, sua origem ou sua religião. As
pessoas podem aprender a odiar e, se podem aprender a odiar, pode-se
ensiná-las a aprender a amar. O amor chega mais naturalmente ao coração
humano que o contrário.”

5)
“Se queremos chegar a algum lugar juntos, devemos estar dispostos a
dizer quem somos. Eu sou a ex-primeira-dama dos Estados Unidos e também
sou descendente de escravos. É importante ter presente essa verdade”,
disse Michelle Obama sobre a importância de reconhecer e valorizar as origens de cada um.
6)
“Não digam que fui rebotalho, que vivi à margem da vida. Digam que eu
procurava trabalho, mas fui sempre preterida. Digam ao povo brasileiro
que meu sonho era ser escritora, mas eu não tinha dinheiro para pagar
uma editora”, protestou Carolina de Jesus,
quando ainda morava na favela Canindé, antes de se tornar uma das
primeiras escritoras negras do Brasil. Também é de sua autoria a frase
clássica “o negro só é livre quando morre”.

7) Graças ao seu programa de TV e seu conglomerado de entretenimento, a apresentadora Oprah Winfrey
conseguiu romper as barreiras de raça e se tornar a mulher mais
influente do mundo durante várias décadas. Esta foi a receita de seu
sucesso: “Fui criada para acreditar que a excelência é a melhor forma de
dissuadir o racismo e o sexismo. E é assim que oriento a minha vida.”

8)
“A mudança não chegará se esperamos outra pessoa ou outro tempo. Somos
nós mesmos os que estávamos esperando. Somos a mudança que buscamos”, é a
inesquecível reflexão do ex-presidente Barack Obama gravada nas paredes do Museu da Cultura Afro-Americana de Washington.

9)
“Você pode me disparar com suas palavras, pode me cortar com seus
olhos, pode me matar com seu ódio, mas, ainda assim, como o ar, eu me
levantarei.” Essa é uma das frases mais célebres e inspiradoras da poeta
e eterna defensora dos direitos civis Maya Angelou.

10)
“A ira e a frustração que vemos uma vez mais em nossas ruas são apenas
uma lembrança do pouco que crescemos como país desde nosso pecado
original da escravidão. Essa é a nossa pandemia. Nos infecta a todos, e
em 400 anos ainda não fomos capazes de encontrar uma vacina”, disse George Clooney em plena onda de protestos antirracistas pelo assassinato de George Floyd.

11) A congressista mais jovem da história dos EUA e referência indiscutível da nova esquerda, Alexandria Ocasio-Cortez,
colocou Washington de cabeça para baixo com frases como esta: “Se você
exige o fim dos distúrbios, mas não exige o fim das condições que
criaram esses distúrbios, então você é um hipócrita.”

12)
“Não importa quanto dinheiro você tem, não importa quão famoso você é,
não importa a quantidade de gente que te admira: ser negro nos EUA é
duro. E temos pela frente um longo caminho como sociedade e para que
nós, os afro-americanos, possamos nos sentir iguais nos EUA”, afirma LeBron James, que, apesar de ser o jogador de basquete mais importante deste século, sentiu na carne o racismo sistêmico de seu país.

13) “Negar e silenciar é confirmar o racismo”, disse o técnico Roger Machado,
do Bahia, em um épico discurso no Maracanã. “Minha posição como negro
na elite do futebol condiz com isso. Na faculdade que eu fiz, só tinha
eu de negro. Mas, mesmo assim, rapidamente, quando a gente fala isso,
ainda tentam dizer: ‘Não há racismo, está vendo? Você está aqui’. Não,
eu sou a prova de que há racismo porque eu estou aqui.”

14) Aretha Franklin,
conhecida como ‘a rainha do soul’, lutou durante toda a carreira para
acabar com a segregação racial nos EUA e pelos direitos das mulheres:
“Todos exigimos e queremos respeito, homem ou mulher, negro ou branco. É
nosso direito humano básico.” R.E.S.P.E.C.T.

15)
“Enquanto a filosofia que sustenta a existência de uma raça superior e
outra inferior não for desacreditada e abandonada de uma vez por todas,
em todas as partes haverá guerra. Eu digo: guerra”, cantava Bob Marley em sua canção War, inspirando-se no discurso do imperador etíope Haile Selassie I na Assembleia Geral da ONU de 1963.

16) Em sua festejada e influente trajetória, a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie
reflete sobre questões como raça, identidade e feminismo. “A raça não
existe para você porque nunca foi uma barreira. Os homens negros não têm
essa oportunidade.”

17) Trevor Noah, apresentador do noticiário satírico The Daily Show, narrou em sua imprescindível biografia Born a Crime
como a xenofobia havia moldado sua vida. Nascido na África do Sul do
apartheid, sua mera existência já era um crime. “O racismo é um
problema, como o alcoolismo, que é preciso curar. É hereditário, você
ensina aos seus filhos. Cresce de geração em geração. Se o tratássemos
como uma doença, não rejeitaríamos os demais”, afirma.

18) O ativista afro-americano Malcolm X,
assassinado há 55 anos, transformou-se em mito por ter canalizado em
seu discurso os séculos de opressão e ira vivenciados por sua
comunidade. “Não há nada melhor que a adversidade. Cada derrota, cada
angústia, cada perda contém sua própria semente, sua própria lição sobre
como melhorar sua maneira de agir da próxima vez.”

19) O jogador de futebol americano Colin Kaepernick
enfrentou a facção mais reacionária dos EUA ao se ajoelhar durante a
execução do hino, em protesto contra a brutalidade e a opressão da
comunidade afro-americana. Embora não tenha sido contratado depois por
nenhum time, ele é hoje uma referência da luta antirracista. Assim
explicou seu gesto: “Não vou me levantar e mostrar orgulho pela bandeira
de um país que oprime as pessoas negras. Para mim, isso é maior que o
futebol americano, e seria egoísta da minha parte olhar para o outro
lado. Há cadáveres nas ruas, gente assassinada injustamente e ninguém se
responsabiliza.”
20)
“O imaginário brasileiro, pelo racismo, não concebe reconhecer que as
mulheres negras são intelectuais”, afirmou a escritora brasileira Conceição Evaristo,
que ainda explica como se inspirou para manifestar suas aflições por
meio da escrita. “Eu não nasci rodeada de livros e, sim, rodeada de
palavras.”

21) O ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 1949, William Faulkner,
também se posicionou contra o supremacismo branco: “Viver em qualquer
parte do mundo hoje e estar contra a igualdade por motivos de raça u cor
é como viver no Alasca e estar contra a neve.”

22) Se existe um cineasta na atualidade responsável pelo auge da cultura negra no mundo, trata-se do ganhador do Oscar Spike Lee:
“Não acredito que o racismo possa ser eliminado durante o resto da
minha vida… nem na vida dos meus filhos, nem na dos meus netos. Mas
acredito que devemos nos esforçar para isso. Continuarei trabalhando
para que este dia chegue.”

23)
“O racismo nos EUA é como a poeira no ar. Parece invisível, mesmo que
você esteja se asfixiando, até que você deixa entrar o sol. Então vê que
está em todas as partes. Se deixarmos a luz entrar, teremos a chance de
limpá-lo. Mas temos que estar atentos, porque continua no ar”, afirma Kareem Abdul-Jabbar,
lenda dos Los Angeles Lakers e um dos atletas mais politicamente
comprometidos de seu tempo. Assim reconheceu Barack Obama em 2016, ao
condecorá-lo com a Medalha da Liberdade dos EUA.

24) A escritora Margaret Atwood, que em distopias como O Conto da Aia
(Rocco) reflete problemáticas como o segregacionismo, diz esperar “que
as pessoas finalmente percebam que só há uma raça, a raça humana, e que
todos somos membros dela”.

25)
“O Brasil aplaude a miscigenação quando clareia. Quando escurece, ele
condena. O táxi não para pra você, mas a viatura para. Esse é o problema
urgente do Brasil”, disse Emicida
antes de lançar um álbum no Dia da Consciência Negra. O rapper
paulistano se converteu em uma das vozes mais contundentes na luta
contra o racismo.



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