No mês no Orgulho, listamos 10 sugestões de livros escritos por autores LGBTI
Escritores
e escritoras lésbicas, gays, bissexuais e transexuais sempre estiveram
presentes na literatura, mas ao retratar a temática de gênero e
sexualidade em suas obras muitas vezes enfrentaram obstáculos ou
chegaram a ser proibidos. Hoje já é possível ter acesso a essas
histórias, que continuam sendo escritas e trazem consigo
representatividade e visibilidade para as diversas formas de ser e se
relacionar. O mês do Orgulho LGBTI+ pode ser uma boa oportunidade para
descobrir esses autores e autoras. Dos clássicos às publicações mais
recentes, reunimos dez sugestões de livros escritos por autores LGBTI+ e
que abordam questões referentes a esse tema. Confira:
'Velhice Transviada: Memórias e Reflexões', de João W. Nery
João
W. Nery foi o primeiro homem transgênero brasileiro a passar pela
cirurgia de redesignação sexual. Ao perceber a dificuldade em se
envelhecer trans no Brasil, decidiu reunir memórias e reflexões no livro
"Velhice Transviada". Psicólogo e ativista dos Direitos Humanos, o
autor relata sua trajetória e também traz entrevistas com outros
"transvelhos", termo que criou para se referir a transsexuais com mais
de 50 anos. João W. Nery viveu 68 anos e faleceu em 2018, logo após
terminar o livro.
'A Cor Púrpura', de Alice Walker
Escrito
pela norte-americana Alice Walker, "A Cor Púrpura" conta a história de
Celie, uma mulher negra que morava no sul dos Estados Unidos, no início
do século XX. Por meio de cartas, primeiro direcionadas a Deus e depois a
sua irmã desaparecida, a protagonista conta sobre os abusos que sofreu
de seu pai e de seu marido. Ela conhece então a cantora Shug Avery e as
duas vivem uma história de amor. O livro venceu o Prêmio Pulitzer e foi
adaptado para um filme de mesmo nome, em 1985, mas apesar do sucesso, a
produção recebeu algumas críticas por não aprofundar o relacionamento
entre as personagens.
'E Se Eu Fosse Puta', de Amara Moira
"E
Se Eu Fosse Puta" é uma autobiografia de Amara Moira, doutora em
crítica literária, professora de literatura, travesti e bissexual. No
livro, a escritora conta sobre sua transição e sua experiência na
prostituição. Ela aborda aspectos eróticos da profissão, mas também as
angústias e dificuldades de ser prostituta, em depoimentos impactantes. A
obra traz ainda tirinhas da cartunista Laerte.
'Quinze Dias', de Vitor Martins
O
romance de estreia do autor e ilustrador brasileiro Vitor Martins conta
a história de Felipe, um estudante que sofre bullying dos outros
alunos. Ele espera ansiosamente pelas férias, quando vai poder colocar
em dia suas séries e livros e assistir a vídeos no Youtube. No entanto,
os planos mudam quando descobre que sua mãe decidiu hospedar em seu
quarto por duas semanas o vizinho Caio, que também era sua paixão de
infância. Além de falar de amizade, relacionamentos e inseguranças da
adolescência, a obra aborda a questão da gordofobia.
'A Volúpia do Pecado', de Cassandra Rios
Cassandra
Rios é o pseudônimo de Odete Rios, escritora paulistana pioneira na
escrita erótica sobre a homosexualidade feminina. Seu primeiro romance,
publicado quando tinha 16 anos, "A Volúpia do Pecado" conta a história
de amor entre duas adolescentes. Essa e outras obras da autora foram
censuradas, principalmente durante o período da ditadura militar. Ainda
assim, em 1970, ela se tornou a primeira autora brasileira a vender 1
milhão de exemplares.
'Morangos Mofados', de Caio Fernando Abreu
O
jornalista, dramaturgo e escritor Caio Fernando de Abreu é considerado
um dos grandes autores da literatura brasileira. Era assumidamente gay e
foi um crítico da ditadura militar, pela qual foi perseguido. Em
"Morangos Mofados", publicado em 1982, ele traz uma série de contos que
abordam temas como solidão, dor, esperança e homossexualidade. O livro é
dividido em três partes: "O Mofo", "Os Morangos" e "Morangos Mofados".
'O Ano em que Morri em Nova York', de Milly Lacombe
O
romance de estreia da jornalista, escritora e roteirista brasileira
Milly Lacombe tem caráter autobiográfico e narra a história de uma
protagonista casada com uma mulher que ama. No entanto, ela suspeita que
possa ter sido traída em uma viagem de negócios. A obra relata o fim do
relacionamento e sua volta à São Paulo, mas fala principalmente sobre
autoconhecimento:"Um romance sobre amar a si próprio", como diz o
subtítulo.
'O Quarto de Giovanni', de James Badwin
O
livro conta a história de um jovem norte-americano chamado David que
está em Paris esperando sua namorada, Hella, que por sua vez está na
Espanha e reflete se deve se casar com ele. Enquanto isso, David conhece
Giovanni, um homem italiano por quem se apaixona. "O Quarto de
Giovanni" foi publicado em 1956 e escrito por James Baldwin, autor e
ativista norte-americano que abordava em suas obras questões raciais e
sobre sexualidade.
'Tudo Nela Brilha e Queima', de Ryane Leão
O
livro de poemas foi a obra de estreia da autora, poeta e professora
brasileira Ryane Leão, criadora do Instagram “Onde jazz meu coração”,
onde reúne parte de seus trabalhos. "Tudo Nela Brilha e Queima" traz uma
seleção de textos sobre empoderamento feminino e aborda temas como
amor, desapego, rotina e suas vivências como mulher negra e lésbica. O
livro conta ainda com ilustrações de Laura Athayde.
'Orlando', de Virginia Woolf
Escrito
pela inglesa Virginia Woolf, considerada uma das mais importantes
autoras do século XX, o romance publicado em 1928 acompanha a trajetória
de Orlando, jovem inglês que vive em busca de sua felicidade. Aos 30
anos, em uma viagem na Turquia, ele dorme por sete dias e acorda mulher.
O tempo também é um dos temas abordados na obra, cuja narrativa
atravessa mais de três séculos. Acredita-se que o livro foi inspirado na
história da autora com Vita Sackville-West, poetisa com quem viveu um
romance.


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