sábado, 11 de janeiro de 2020

Chega às livrarias livro que Fernanda Young escreveu aos 17 anos



Fernanda Young, que morreu em agosto passado aos 49 anos, era muito conhecida por suas criações para a televisão, especialmente pelo clássico seriado cômico Os Normais, em que Fernanda Torres (Vani) e Luis Fernando Guimarães (Rui) protagonizaram momentos inesquecíveis.

Mas Fernanda era também uma das mais producentes escritoras brasileiras: desde Vergonha dos Pés, que marcou sua estreia em 1996 como romancista, até seu último livro, Pós-F (2018), foram 14 publicações.
Agora, a editora Leya lança postumamente o inédito Posso Pedir Perdão, Só Não Posso Deixar de Pecar (R$ 45/158 págs), escrito quando Fernanda tinha apenas 17 anos de idade.

Foi enquanto preparava a mudança de casa, revirando as caixas empoeiradas, que a escritora encontrou os originais daquele seu primeiro romance, a que ela deu dois títulos, que acabaram sendo trocados pelo atual: Emilio, o Invejoso ou Desire, uma Boa Potranca.

No livro, a jovem protagonista descobre que ficou menstruada e seus pais, que vivem numa pequena e conservadora cidade do interior, decidem que a filha, ainda aos doze anos, deve se casar.


Originais 

Os originais escritos à máquina foram encontrados pela própria Fernanda enquanto ela revirava umas caixas para se mudar de casa. Eugênia Ribas-Vieira, que trabalhou com Fernanda Young como sua editora pessoal desde 2006, lembra que a autora tinha uma certa rejeição a este seu primeiro romance: “Ela renegava, mas nunca tinha relido. Me dizia que não tinha coragem. Mas acabou encontrando e ficou louca e me disse ‘vamos ler’!”

Mas à medida que lia, Fernanda ia aceitando melhor o livro e percebia que ali estava uma escritora em formação. “Ela ia se impressionando a cada página com a loucura do livro, um certo surrealismo”, observa Eugênia, que ainda tem os originais em mão.


Se inicialmente a ideia de lançar o livro causava um certo medo em Fernanda, mais tarde ela já revelava alegria e uma certa expectativa. “Ela estava muito feliz, afinal a literatura para ela sempre foi a coisa mais importante”, diz Eugênia. A editora revela ainda que Fernanda tinha uma certa frustração e ressentimento porque achava que sua obra literária não tinha o devido reconhecimento.

E esse reconhecimento talvez fosse importante para que ela se sentisse mais segura, já que a própria família nunca se entusiasmou muito com a carreira de Fernanda. Seus pais não eram intelectuais e ela costumava dizer que havia aprendido a escrever ouvindo Chico Buarque e Caetano Veloso.


Família

Mas, se os pais dela não lhe estimulavam para seguir a carreira, o marido Alexandre Machado e as filhas eram bem “corujas”, tanto que fizeram questão de participar desta edição de Posso Pedir Perdão, Só Não Posso Deixar de Pecar, que se tornou uma homenagem posta a uma criadora morta muito precocemente.


As filhas Estela e Cecília ficaram encarregadas, respectivamente, de desenhar a capa e de escrever o prefácio do livro. Alexandre acompanhou o passo a passo da publicação. E o resultado foi uma edição muito bem cuidada, em capa dura e com papel de alta qualidade. O projeto gráfico inclui ainda a reprodução de parte dos originais, o que dá um tom afetivo à publicação. E a capa vermelha era um capricho de Fernanda, logo atendido pela editora.

Tudo isso para dar a devida “embalagem” a uma autora que já revelava seu talento e sua identidade aos 17 anos, como diz Eugênia: “Os livros dela têm humor e sarcasmo marcantes e a literatura dela espelha isso que ela é. Como ela disse, era na literatura que ela de fato se mostra e se apresenta. Quem conhece Fernanda vai reconhecê-la nos personagens”.





Fonte: www.correio24horas.com.br      Por Roberto Midlej 

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