Chico Cerchiaro/Divulgação
Raphael Montes tem apenas 28 anos, mas já lançou cinco romances responsáveis por alçá-lo a expoente de uma nova geração do gênero policial brasileiro. O mais novo deles é “Uma Mulher no Escuro”, que ganha tarde de autógrafos nesta segunda-feira (10), às 17h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (av. Paulista, 2.073, Jardins).
O livro acompanha a jovem Victoria Bravo diante de um acerto de contas com o passado. Quando o assassino de sua família volta a atormentá-la, ela parte em uma investigação que a faz desconfiar dos três homens de sua vida: seu psiquiatra, um amigo conhecido na internet e um potencial namorado que é escritor. Ela é a primeira protagonista feminina do autor de “Suicidas” e “Dias Perfeitos”, que fala ao Metro Jornal sobre o desafio de concebê-la.
Como foi escrever uma protagonista feminina em uma época na qual se fala muito que mulheres sejam representadas por mulheres?
Minha vontade de fazer uma protagonista
feminina parte da vontade que tenho, como escritor, de ocupar cabeças
que não são a minha. Todos os meus personagens são muito diferentes de
quem eu sou. Já tinha escrito quatro livros, nenhum com protagonista
feminina. Achei que estava na hora de encarar esse desafio. Outra coisa
diferente é que essa é uma protagonista heroica, ainda que com defeitos,
porque não acredito em pessoas perfeitas.
Ela é heroica, mas também é vítima…
Desde o início, sabia que ela seria uma
vítima, mas não queria que fosse uma coitada. Ela tem questões por
causa dos traumas sofridos. Para escrevê-la, conversei com um monte de
psiquiatras e com muitas amigas e pessoas engajadas no movimento
feminista para entender quão bem representada ela estava.
Por que somos seduzidos pela jornada do herói?
Não gosto tanto dessa jornada, mais
aplicável a histórias de fantasia, mas Victoria é heroica. O que queria
era criar uma mulher que tem suas questões, mas está bem resolvida com
isso, e é forçada a enfrentar um passado que não queria. De algum modo,
essa história é sobre como nós empurramos histórias para baixo do
tapete.
Você concorda que este é um romance de formação um tanto distorcido?
Sim. É o assassino que a faz evoluir de
algum modo. Ela sofre um processo de amadurecimento assim como eu vivi
como escritor e, ao mesmo tempo, ela também enfrenta uma jornada para
lidar melhor consigo mesma, com o que aconteceu.
Isso sintoniza com uma tendência de falarmos mais sobre autocuidado. Essa era uma preocupação sua?
Acho que o escritor tem uma antena e
percebe assuntos que estão no ar. Penso em histórias que ilustram um
pouco o que está ao nosso redor. A meu ver, o livro é muito sobre em
quem você pode confiar. Com quem você divide suas angústias? A questão
da psicologia sempre me interessa porque reflete o ser humano na
sociedade.
Casos reais o inspiraram?
Sem dúvida esse é meu romance mais
realista. Nos outros, sempre busquei um caráter hiperbólico, usei humor
negro. “Uma Mulher no Escuro” é embasado tanto em perfis psicológicos
existentes quanto em casos reais.

Fonte: www.metrojornal.com.br Por Amanda Queirós


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